2015: O ano do protótipo perdido e de idéias enterradas
- Rodrigo Estevam (Lombra)

- 6 de jun. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jun. de 2019
De onde me veio a idéia de criar um jogo de tabuleiro? Até esse momento, em 2015, eu havia participado algumas vezes da Jogasampa, encontro de board gamers que costumava acontecer mensalmente na Ludus Luderia, em São Paulo. Esse contato com variados jogos e a comunidade do hobby, incluindo designers e aspirantes a tal (me lembro de alguns comentando sobre seus projetos), muito provavelmente me influenciou, mas não considero o único fator. O ócio (criativo, mas nem tanto) que passei a desfrutar após ser demitido do meu emprego em 2014 também foi responsável por Ilha Bela.
Mas por que um tema marítimo, com barcos pesqueiros enfrentando fortes ondas e correntezas? Isso eu não sei responder, apesar de ser um tanto quanto clichê. Ou, talvez eu saiba. Esse tema simplesmente brotou em minha mente por incorporar muito bem a mecânica que considero a cereja do bolo. Ou melhor, do jogo. Desde a primeira vez que pensei nele, já visualizei o movimento de barcos sendo arrastados no tabuleiro por correntezas marítimas e virando devido à ondas mais altas. E que essa inteligência artificial (talvez esteja exagerando ao usar esse nome) funcionaria com cartas contendo esses comandos. Tudo nasceu junto, tema e mecânica. Mas foi o tema (movimento do mar) que trouxe instantaneamente a mecânica, perfeitamente (ou quase) "colados".

Comecei então a produzir o primeiro protótipo do jogo. Aquela coisa, imprimir e recortar tudo. Não deu tanto trabalho quanto as versões recentes, pois não haviam as cartas de passageiros. Apenas de trabalhadores, que agora são equipamentos. E um único caminho para a vitória: pescar e vender seus peixes no cais (continente). Existia a ilha, mas não com a importância que tem agora (abordarei isso em um post futuro). O objetivo sempre foi o mesmo: ser o jogador com o maior valor em dinheiro ao final da partida. Mas a busca pela vitória era monótona. Apesar de já existirem idéias de confronto direto entre os jogadores (barcos), com troca de tiros de canhões e saques (pirataria pura, e nunca quis entrar nessa atmosfera), acabei não colocando-as em prática, e acho que não seria o suficiente para deixar o jogo mais interessante.
Após uma ou duas partidas de teste sozinho, simulando quatro jogadores, cheguei a conclusão que o jogo não tinha futuro. Desanimado, guardei os papéis em uma pasta que ficou esquecida e abandonei completamente o projeto. E pra completar o "enterro", joguei tudo fora algum tempo depois ao me mudar de residência, junto com tudo que julgamos inútil pra nós nessa hora. Eu achava realmente que não voltaria a mexer com game design. Ou no mínimo, não mais nesse projeto.
Mas voltei, e foi há alguns meses. Ilha Bela, que não tinha nome em 2015 e nem há poucos dias, ressuscitou. Mas o que deixa o jogo melhor e mais interessante agora? Uma nova fonte de renda: o transporte de passageiros do cais para ilha e vice-versa. E esse novo caminho para a vitória surgiu de um detalhe da primeira versão, de 4 anos atrás. Porém, isso é assunto para os próximos posts.
A lição que quero deixar aqui é: procure identificar o que há de original no seu jogo. Sua "alma". O que o torna único. E não desista dele mesmo se achar que apenas isso o faz valer a pena, e seja necessário mudar e moldar todo o resto. Eu não enxerguei a alma do meu (lembra da cereja?) 4 anos atrás e o abandonei. Hoje julgo que ele tem potencial, mas quase o esqueci para sempre... e assim teria deixado também um sonho para trás.



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